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Sócios - Nem todos ganham igual

Enviada por   em  Wednesday, August 25, 2010

Entrevista concedida ao jornalista João Carlos Baldan (*) para a REVISTA PELLEGRINO – EDIÇÃO 104 - ANO 17 – ABRIL 2010

Entrevista concedida ao jornalista João Carlos Baldan (*) para a REVISTA PELLEGRINO – EDIÇÃO 104 - ANO 17 – ABRIL 2010

 

MATÉRIA DE CAPA

 

Endereço eletrônico:

 

http://www.pellegrino.com.br/revista/materias.asp?id=750

 

(*) Jornalista pela Cásper Líbero. Trabalhou no Jornal da Tarde, Editora Globo e Editora Três. Foi repórter nas rádios Jovem Pan e Cultura. Editou sites. Mais tarde fez cursos de massoterapia. Como massoterapeuta estudou e formou-se em Acupuntura pela Associação Brasileira de Acupuntura – ABA, onde foi professor e diretor. É terapeuta sindicalizado na ABA, no Sindicato dos Terapeutas – SINTE e no Sind. dos Acupunturistas e Terapeutas Orientais de São Paulo - SATOSP. Possui especialização em Psicopatologia, pelo NAIPPE-USP, e pós-graduação, latu-sensu, em Acupuntura pela Faculdade Dr. Leão Sampaio e Instituto Brasileiro de Homeopatia e Acupuntura – Ibrah

 

SÓCIOS: NEM TODOS GANHAM IGUAL

Ao abrir um negócio em sociedade, muitos acreditam que a retirada de dinheiro é para ser dividida igualmente entre os sócios. Porém, na prática não é assim. Vamos abordar nesta matéria os problemas mais comuns, mais ou menos estabelecidos nas questões abaixo:
 

- É comum, na hora de abrir um negócio em sociedade, os sócios acreditarem que a retirada de dinheiro deve ser dividida, sempre, igualmente entre os sócios?
É sim, principalmente nos pequenos e médios negócios. Há uma confusão muito grande entre o caixa da empresa e o caixa pessoal dos sócios e desta forma acreditam ser possível retirar recursos da empresa a hora que desejam e um volume muitas vezes superior ao que a empresa possa gerar.
- É comum que sócios achem poder retirar o equivalente à sua participação na sociedade, definida no contrato social, e por trabalharem na empresa, enquanto o outro sócio não trabalha?
Não há uma relação direta entre o % de composição societário e as retiradas mensais a titulo de pró-labore, pois na sua grande maioria a definição destes % são pró-forma, somente definidos para identificar o grau de responsabilidade de cada sócio, o que em minha opinião esta totalmente errado, pois a boa gestão de uma empresa tem que começar definindo o quanto em recursos cada sócio irá participar e o principal é integralizar estes recursos, depositando na conta corrente da empresa para dar inicio as suas atividades.
A definição das retiradas do pró-labore devem ser feitas em comum acordo entre as partes levando em conta que somente o sócio que trabalha na empresa tem direito a esta retirada, enquanto o outro sócio que não trabalha terá direito somente das retiradas via lucro quando isto ocorrer.
- É fato que sócios parentes acreditem que têm de ter a mesma retirada mensal?
A administração de uma empresa familiar é bem complexa e exige de quem a administra muita disciplina. Há de se definir o grau de responsabilidade e quais atividades cada sócio deve ter na empresa e desta forma pode então ser definido a forma de remuneração mensal destes sócios, não se deve ter retiradas iguais pois também não há responsabilidades e atividades diárias iguais.
Há de se lembrar que os resultados de uma empresa depende de quem a administra, se há definições iniciais incorretas, se há administração de recursos sendo feito de forma indevida, como querer obter resultado positivo da empresa?
- E o sócio que não trabalha no negócio? Também quer ter retirada mensal independente da lucratividade da empresa? Como gerenciar este aspecto?
Como mencionei na pergunta anterior, as retiradas a titulo de pró-labore devem ser feitas somente a quem esta na gestão do dia a dia da empresa.
A própria definição do que vem a ser pró-labore deixa bem claro isto, ou seja:
“pró-labore” expressão que significa “pelo trabalho”, remuneração do trabalho realizado por sócio.
Sendo assim há de se definir o valor desta remuneração que nada mais é do que o salário do sócio que trabalha na empresa, podendo ser feita pela definição da função que cada sócio tem na empresa, buscando referencias em salários de mercado.
O sócio que não trabalha na empresa terá sua retirada via “distribuição de lucros” que poderá ser apurada de forma mensal ou anual, no entanto sempre temos que pensar que esta retirada pode não ocorrer pois muitas das vezes a empresa somente gera resultados para pagar suas despesas fixas e variáveis, ou seja, fica no “zero a zero” e desta forma não há como fazer retirada de valores que não foram frutos de geração de resultados, ou seja, lucro.

- É claro, nas empresas familiares o conhecimento da diferença entre pró-labore e retirada de lucro?
Não.
Há sempre a confusão entre o Lucro e o pró-labore, aproveitando esta oportunidade vou aqui fazer esta distinção:
Pró-labore: É a retirada fixa mensal que os sócios que trabalham na empresa diariamente tem direito ao final de cada mês, aliás a retirada deve ser feita como se faz os pagamentos mensais de salários aos seus funcionários, uma ou duas vezes ao mês (adiantamento e saldo no final do mês) e os sócios devem transferir estas retiradas para contas pessoais não fazendo uso da conta da empresa para pagamento de contas pessoais, pois dificilmente adotando a política de fazer pagamentos com cheques ou utilizando contas da empresa para isto, terá ao final do mês retirado o valor determinado do pró-labore.
A definição do montante deste pró-labore deve levar em conta o que o sócio tem de gastos para sua manutenção como pessoa física, ou seja, gastos com supermercado, gastos com escolas dos filhos, gastos com combustível, telefone, aluguel, etc, ou seja, seus gastos pessoais, daí a recomendação de se definir qual atividade o sócio terá na empresa e buscar referencias de salários no mercado.
Não há como o sócio ter uma estrutura de gastos fixos mensais em um montante e retirar o insuficiente para esta cobertura da empresa, no entanto também não há como retirar valores maiores do que a empresa pode pagar, portanto deve ser feito um estudo para que seja encontrado o equilíbrio destas duas partes e muitas vezes até tendo que “cortar na própria carne” para que seja possível encontrar este equilíbrio.
Lucro: O lucro é o resultado da empresa, ou seja, apurou-se as vendas mensais, subtrai-se delas os seus custos (de serviços ou de produtos), subtrai-se os gastos variáveis (impostos sobre as vendas, comissões, custos financeiros) os gastos fixos (salários + encargos, pró-labore, água, luz, aluguel, telefone, contador, etc.) apura-se então o resultado Lucro.
Uma vez encontrado o lucro há de se definir o que fazer com ele, de que forma fazer a sua distribuição o seu rateio.
Há varias possibilidades, eu particularmente recomendo adotar uma distribuição equilibrada, podendo ser assim:
Uma vez encontrado o lucro, seja ele qual for o valor representa 100% e sua distribuição (seu rateio) poderá ser feita da seguinte forma:
“x” % = deve ficar na empresa para ser reinvestido na mesma;
“x” % = deve compor um fundo de reserva para recomposição do capital de giro;
“x” % = pode ser distribuído entre os sócios, ou seja, será então esta parte que deverá ser distribuída ao sócio que trabalha e ao sócio que não trabalha na empresa, podendo caso queira, adotar o percentual de participação de acordo com o contrato social.
Veja que não defini os valores em percentuais pois não há uma “receita padrão” cada empresa define estes percentuais, mas minha recomendação é de fazer a distribuição seguindo esta forma de rateio.
- Como evitar desentendimentos?
Acredito que os sócios tem que ter em mente que se querem um negocio que seja duradouro, que gere resultados tem que compartilhar dos mesmos sentimentos, não adianta iniciar ou continuar com um negocio onde não há esta sinergia.
Lembro sempre que uma empresa, que seu grupo de colaboradores são reflexos de seus donos.
- Nas atuais sociedades e empresas familiares entende-se que a sociedade tem como objetivo máximo a divisão e retirada do lucro?
Não vejo por este ângulo, o lucro é o resultado de uma empresa, e este resultado só virá com muita dedicação, como muito esforço de quem a administra.
O foco principal deve ser o mercado onde se atua, ser competitivo, saber onde e como lidar com seus clientes, quem são seus verdadeiros concorrentes ou então quem e onde estão seus parceiros, de quem comprar, saber comprar, saber vender, saber controlar custos, saber controlar o fluxo de caixa, enfim saber administrar bem o negocio.
- Conhece casos, mesmo respeitando a identidade das pessoas (inclusive com a possibilidade de troca de nomes), que possam ser citados nesta matéria?
Vou apresentar um “case” de um de nossos clientes do setor de Autopeças onde ficará bem claro a importância de saber definir com clareza as formas de retiradas mensais por parte dos sócios.
Preservando o nome real da empresa, seus sócios e valores, vou aqui falar da empresa chamada “Auto-Autopeças” cujos sócios são Srs. João Paulo e Sr. Farias Brito.
Bem nossos dois personagens romperam sua sociedade a menos de um mês por problemas justamente de desacordo com retiradas mensais de suas remunerações, ou seja, o pró-labore.
A bem da verdade, a entrada do Sr. Farias Brito na sociedade da empresa, foi meio conturbada, não houve inicialmente entre os sócios a definição da função e de quanto seria a remuneração mensal de cada um, somente se sabia que cada um participava com 50% do capital da sociedade.
O Sr. João Paulo sempre foi o sócio mais ativo, estava presente na empresa todo o período, comprando, vendendo, relacionando com seus clientes e funcionários.
Já o Sr. Farias que tinha outra atividade, dedicava-se parte de seu dia a empresa, passava para ver como estavam as coisas, conferia alguns relatórios, assinava em conjunto com o Sr. João os cheques para pagamentos do dia, contribuía com suas idéias para a gestão de compras e vendas, e algumas vezes tinha contato com os funcionários.
O Sr. João Paulo definiu então que sua retirada de pró-labore deveria ser de R$ 3.000,00 mensais, valor este que seria no momento suficiente para cobrir seus gastos pessoais e também um valor que a empresa poderia pagar aos sócios e achou que o Sr. Farias, apesar de não estar ali presente todo o tempo deveria receber igual. Houve então o aceite entre os dois.
Com o passar do tempo, percebeu que ele João Paulo, estava trabalhando muito e recebendo pouco da empresa e resolveu então a aumentar sua retirada para algo em torno de R$ 5.000,00 mensais, valor este também que a empresa poderia pagar aos sócios.
Antes porém chamou o Sr. Farias para discutir em conjunto esta decisão, até para saber como seria também a sua retirada, e o Sr. Farias acabou não aceitando este aumento, alegando que provocaria prejuízos a empresa e que não achava necessário e justo este aumento.
Esta discussão enveredou para o lado pessoal, o Sr. João ficou magoado com o Farias por este ter falado que este valor “não era justo”, e desabafou falando que ele Farias deveria ter uma participação mais ativa na empresa, que ele João é que estava “carregando” a empresa nas costas, deveria haver compartilhamento das tarefas e atividades diárias da empresa e depois desta discussão áspera houve o rompimento da sociedade.

Finalizando este “case” posso dizer que o erro maior aqui de nossos personagens, foi falta de definição por parte dos Srs. João Paulo e Farias Brito de qual responsabilidade e atividade que cada um teria na empresa, uma vez sendo definido isto, eles poderiam ter buscado referencias de remuneração no mercado de trabalho para estas atividades evitando assim desgastes desnecessários e preservando a sociedade.

Ao finalizarmos esta entrevista quero deixar aqui aos leitores uma mensagem de que a gestão de uma empresa depende da disciplina de seus gestores, depende do grau de comprometimento entre os sócios, depende de ter controles e saber fazer a leitura destes controles.
Não adianta somente ter um programa de computador para controlar estoques de peças sem ter um bom fluxo de caixa, sem fazer conciliações bancarias, sem ter alguém para fazer isto diariamente e principalmente sem saber olhar para estes controles e relatórios e saber o que eles estão querendo nos mostrar.

Atenciosamente,

Thersio Gonçalves Filho

Sócio proprietário da empresa Thema Consultoria Empresarial SS Ltda.

Tutor do Curso a Distância do SEBRAE-NACIONAL – APF – ANALISE E PLANEJAMENTO FINANCEIRO e Facilitador de cursos presenciais de Finanças do SEBRAE-SP

Fone: (11) 9122-7969


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