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A RELEVÂNCIA DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL NO MERCADO DE AÇÕES BRASILEIRO

Enviada por   em  Monday, October 05, 2009

Este é um artigo apresentado no XXXII encontro da ANPAD - ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM ADMINISTRAÇÃO que contém importantes informações técnicas
A Relevância da Informação Contábil no Mercado de Ações Brasileiro: Uma Análise Informação Societária e Informação Corrigida Autoria: Amaury José Rezende, Flavio Donizete Batistella, Flávia Zóboli Dalmácio, Giovani Antonio Silva Brito Resumo Anteriormente ao Plano Real, o Brasil passou por períodos de inflação, em níveis elevados. Os impactos da inflação afetavam a elaboração de demonstrações contábeis, que, por sua vez, reconheciam os efeitos da inflação. No entanto, a partir do ano de 1996, com a inflação atingindo patamares mais aceitáveis, a elaboração e divulgação das demonstrações contábeis, considerando os efeitos inflacionários, deixou de ser obrigatória (por força da lei 9.249/95). Pensadores renomados da contabilidade brasileira criticam duramente a não consideração de efeitos inflacionários nas demonstrações contábeis, elaboradas de acordo com a legislação societária vigente. Este artigo tem como objetivo analisar a relevância da informação contábil em “custo histórico” e em “moeda constante” de empresas brasileiras de capital aberto, com ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo – BOVESPA. O período de análise foi de 1996 a 2007 e os dados foram obtidos na Economática. Utilizou-se a abordagem de painel e uma modelagem proposta por Collins et al. (1997). Os resultados obtidos denotaram relevância da informação contábil tão somente para as práticas contábeis em “custo histórico”. 1. Introdução Com a publicação do artigo “An empirical evaluation of accounting income numbers”, por Ball e Brown (1968), foi refutada a então preocupação predominante de que o processo de mensuração de lucros pelo custo histórico produzia números sem sentido. Assim, o problema central, naquele momento, era analisar se determinada informação, ao ser disponibilizada no mercado, era capaz de alterar preços de ativos. Em caso positivo, então, ela pode ser classificada como possuidora de conteúdo informacional (informativeness ou information content). A abordagem utilizada pelos autores supramencionados, para mensurar tal fenômeno foi uma aplicação da metodologia de estudo de evento. Uma abordagem de estudos de eventos tem como idéia principal verificar se eventos ocorridos no passado afetaram de modo significativo os retornos de um certo ativo, por exemplo, ações. Assim, o tipo de problema que pesquisadores, que adotam uma metodologia de estudos de eventos, procuram responder é: a ocorrência de determinado evento impactou de modo significativo os retornos de ações? A idéia central em um estudo de evento é mensurar, por intermédio de uma data de evento e dados de mercado, a significância estatística do impacto de um evento específico nos retornos de um dado título. Seu pressuposto básico é que, dada a racionalidade de mercado, o anúncio de um evento relevante se reflete de modo eficiente nos preços de um título. Em pesquisas de value relevance, de forma geral, o objetivo é avaliar o uso de um método já em uso ou de um método alternativo proposto, com recorte para o estabelecimento de padrões contábeis. Em se tratando de pesquisas classificadas como value relevance, quando são utilizadas metodologias de estudo de eventos estas investigações são definidas como ‘conteúdo marginal da informação’ e analisam se a inserção de uma variável contábil adicional causa retornos anormais (em janelas curtas), considerando outras variáveis já inseridas no modelo. Portanto, o objetivo deste artigo é analisar se resultados contábeis em moeda constante possuem maior relevância em comparação com resultados elaborados de acordo com a legislação societária/fiscal, atualmente vigente no Brasil, notadamente marcada pela aplicação 2 do custo histórico como base de valor. Sendo assim, o enfoque aplicado nesta investigação é de ‘associação relativa’, que analisa a relação entre valores de ações (ou variações nos valores) e mensurações de resultado (lucro/prejuízo) alternativas. A modelagem estatística empregada nestes estudos compara os valores dos R2 obtidos em diferentes métodos de mensuração. O método com R2 maior é tido como mais value relevant. Uma limitação da abordagem de value relevance é que nem sempre essa linha de pesquisa pode trazer resultados relevantes, para fins de definição de padrões. Isto porque, os objetivos dos definidores de padrões não necessariamente são consistentes com avaliações de patrimônio líquido. Ademais, apesar de apresentarem simplificações, os modelos de avaliação de empresas podem ser aplicados em pesquisas de value relevance, uma vez que não há uma definição amplamente aceita de utilidade da informação, no âmbito da pesquisa contábil. Então, ela normalmente não é abordada em pesquisas de value relevance. 2. Plataforma teórica 2.1. Informação contábil em moeda constante do Brasil Anteriormente ao Plano Real, o Brasil passou por períodos de inflações em níveis elevados. Os impactos da inflação afetavam diversos segmentos da sociedade. A administração financeira e a contabilidade não estavam de fora. Manter uma empresa solvente em condições de inflação envolve técnicas mais apuradas. Elaborar demonstrações com capacidade informativa relevante considerando-se a inflação, também. A atualização monetária de demonstrações contábeis pode ser resumida pelo reconhecimento dos efeitos da inflação nas demonstrações. A partir do ano de 1996, com a inflação atingindo patamares mais aceitáveis, a elaboração e divulgação das demonstrações contábeis considerando os efeitos inflacionários deixou de ser obrigatória (por força da lei 9.249/95). A partir daí, apenas algumas empresas passaram a publicar os seus relatórios financeiros em moeda constante, apenas como informação adicional, de maneira espontânea. Em 1996 e em 1997, o n° de empresas que publicou informações contábeis em correção monetária integral ainda era considerável. Porém, com a manutenção dos considerados baixos níveis de inflação, mais e mais companhias, foram abandonando esse tipo de publicação, o que tende a restringir o analista à utilização de demonstrações contábeis sem correção monetária. Em condições inflacionárias, mesmo nos relativamente ‘baixos’ patamares verificados no início desta década no Brasil (IGP-Mi de 25,3% em 2002 e 10,3% em 2001), a análise dos ativos deveria considerar tais efeitos, para que a tomada de decisão não esteja distorcida em decorrência de alterações no poder de compra da moeda. Em condições de inflação, uma análise mais rigorosa deveria levar em consideração os efeitos advindos de tal fenômeno. Isto porque o principal objeto de referência para a tomada de decisões, o capital, sofre modificações ao longo do tempo, o que dificulta a comparabilidade de valores, notadamente quando o espaço cronológico entre dois valores monetários aumenta. Levando-se em consideração os diversos usuários da informação contábil, destaca-se o seguinte questionamento: como se comportou o resultado da empresa em relação às outras empresas? E em relação aos seus próprios resultados passados? Por que ocorreram tais diferenças? Para responder a estas e outras perguntas, o usuário geralmente elabora análises baseadas em demonstrações contábeis divulgadas por uma determinada empresa. Neste momento, problemas advindos da perda do poder de compra da moeda podem ocorrer. Lucros divulgados de acordo com o custo histórico como base de valor, por exemplo, perdem em 3 comparabilidade, uma vez que a apuração de resultados é impactada diferentemente nas empresas. Herrera e Procianoy, (1998) ao estudar a avaliação dos retornos das ações das empresas concordatárias, por meio do estudo de evento, analisou os retornos das ações de empresas ex ante e ex post o evento da concordata, entre os períodos de outubro 1988 e junho 1996 e denominadas de “concordatárias”. Uma vez que a vigência do Decreto-lei 8.131 24.12.90 relacionado à correção monetária na concordata preventiva, trouxe mudanças significativas nos retornos das ações, originando reação negativa por parte do mercado. Os resultados da amostra de resíduos semanais, verificou-se que com cinco anos anteriores à concordata os preços das ações refletem a percepção do mercado ao demonstrarem perdas consideráveis nos retornos das ações o mesmo acontecendo em um ano posterior à concordata. Observou também que nos dias próximos ao evento, os resíduos são negativos identificando-se reação negativa do mercado. Verificou-se que o grupo de empresas que não foram afetadas pela correção monetária tiveram melhor desempenho nos retornos das ações que o grupo de empresas afetadas pela correção. Ao analisar a contabilidade com flutuação de preços no Brasil, Estados Unidos, Reino Unido e Austrália, Silva et al. (2000, p. 15) concluiriam que apesar da inflação ser um ponto relevante na caracterização do início e fim do processo de normatização contábil, os diversos interesses envolvidos atuam acelerando ou retardando significativamente o desenvolvimento, a implantação e o abandono das normas relativas ao reconhecimento de seus efeitos na contabilidade. Sob uma perspectiva histórica das práticas contábeis e o ajuste da inflação, Bernardo et al. (2001) demonstraram que as diversas ações normativas tomadas pelos órgãos reguladores, no passado tiveram a finalidade de melhorar o conteúdo informacional da contabilidade aos stakeholders. A ausência de ajuste do efeito da inflação sobre as transações realizadas pela empresa, apresentadas entre os períodos de 1996 até 2002, tem gerado impactos significativos nas informações, pois não refletem a real condição patrimonial e financeira das empresas (LIMA et al. 2004, SALOTTI et al., 2006; MONTEIRO E MARQUES, 2006). Pensadores renomados da contabilidade brasileira criticam duramente a não consideração de efeitos inflacionários nas demonstrações contábeis elaboradas de acordo com a legislação societária vigente (SANTOS e MARTINS, 2000; MARTINS et al., 2003). No Brasil, a maioria das pesquisas realizadas comparando informações contábeis elaboradas de acordo com o custo histórico como base de valor e contabilidade em moeda constante realizam investigações em relação às distorções para fins de análises de balanços. Em outras palavras, são verificadas as significâncias estatísticas das diferenças observadas entre determinados indicadores contábeis (LIMA et al., 2004, SALOTTI et al., 2006). A inflação foi um fenômeno que, por muitas décadas, impactou a economia brasileira, trazendo conseqüências econômicas à vida cotidiana da sociedade. As organizações sofreram com o fenômeno, pois a inflação ocasiona a desvalorização ou perda do poder aquisitivo da moeda. Além disso, trouxe conseqüências significativas ao processo de gestão das organizações, pois dificultava a elaboração e o uso dos relatórios financeiros e gerenciais. Dentre as forma de minimizar o efeito da inflação sobre a informação contábil, um corpo teórico tem sido desenvolvido, ao longo da história, com objetivo de reconhecer os efeitos da inflação sobre as transações realizadas pelas organizações. 4 2.2. Value relevance Por várias décadas, pesquisas sobre value-relevance vêm sendo alvo de investigações no meio acadêmico, em que variáveis contábeis (lucro e patrimônio líquido) são utilizadas como proxy para associar informação contábil e preços de ações das empresas. Dentre as principias abordagens utilizadas nos estudos de value relevance, Holthausen e Watts (2001) enumeram três categorias: a) Estudos de Associação Relativa: comparam a associação entre o preço das ações (ou retornos) e valores contábeis calculados por novos padrões propostos em relação aos valores de padrões existentes. Em geral, concluem que a prática contábil com maior R2 é mais value relevant; b) Estudos de Associação Incremental: verificam se determinadas práticas contábeis são úteis em explicar o valor (ou retorno) das ações (coeficientes diferentes de zero). As diferenças entre valores estimados e previstos são geralmente interpretadas como evidências de erro de mensuração nos números contábeis (nível de confiabilidade); c) Estudos de Conteúdo Informacional Marginal: verificam se um valor contábil específico adiciona informação para um grupo de investidores (short window studies). Dos estudos analisados foi constatado que 94% estão concentrados nos dois primeiros grupos (long window studies) (COUTINHO et al., 2007, p. 6). Coutinho et al. (2007, p.6) destacam que estudos os quais são suportados por essa metodologia podem incorrer em “[...] alguns problemas de implementação dos modelos, por exemplo: (i) alternância na adoção de níveis de preço e retornos; (ii) seleção de variáveis a serem incluídas no modelo; e (iii) tratamento do erro de mensuração”. Quanto às questões críticas levantadas sobre o uso dessa metodologia, Barth, Beaver e Landsman (2001) consideram que a escolha entre a adoção do nível de preço ou retornos dependerá das hipóteses adotadas para analisar o problema de pesquisa, bem como dos ajustes econométricos. De modo geral, o que se observa é que a informação contábil vem adquirindo espaço significativo na composição das variáveis dos modelos de avaliação. Ou seja, a contabilidade torna-se imprescindível no processo de realização de previsões e avaliações econômicas das empresas. Lee (1999) destaca que tamanho interesse por estas áreas de pesquisa ainda encontra espaço para crescimento, pois oferece muitas oportunidades e desafios. 3. Metodologia 3.1. Abordagem para analisar value relevance A abordagem trata preços das ações como variável dependente, sendo suas variáveis independentes o resultado (lucro liquido) do período e o valor do patrimônio líquido. Para testar tal assertiva, foi utilizada a modelagem proposta por Collins et al. (1997), que é baseada no modelo de Ohlson (1995). Essa contribuição da contabilidade, para explicar os preços de mercado correntes, pode ser avaliada pelas seguintes especificações: 5 ij t t t PA =a + ß LA + ß PLA +e 1 2 Sendo: PAt Preço da ação, considerando um período de 4 meses (janeiro a abril) após o fim do período contábil (dezembro) – época de publicação dos resultados anuais LAt Lucro Líquido por ação no ano t, considerando o período contábil: janeiro-dezembro, em valores históricos PLAt Patrimônio Líquido por ação no final do ano t, em valores históricos E, ij t t t PA =a +ß LACM +ß PLACM +e 1 2 Sendo: PAt Preço da ação, considerando um período de 4 meses (janeiro a abril) após o fim do período contábil (dezembro) – época de publicação dos resultados anuais LACMt Lucro Líquido por ação ajustado pelo saldo de correção monetária no ano t, considerando o período contábil: janeiro-dezembro PLACMt Patrimônio Líquido por ação no final do ano t, ajustado pelo efeito da inflação. De maneira específica, com base nos modelos propostos, foi formulada a seguinte hipótese: “NÃO HÁ DIFERENÇA SIGNIFICATIVA ENTRE A RELEVÂNCIA DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL CORRIGIDA E A RELEVÂNCIA DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL NÃO CORRIGIDA”. O procedimento então é analisar a relação entre os preços das ações e mensurações de resultado (lucro/prejuízo) alternativas, ou seja, de acordo com o custo histórico e em moeda constante. Em seguida, comparam-se os valores dos R2 obtidos pelos dois diferentes métodos de mensuração. O método com R2 maior é tido como mais value relevant. Para realização do cálculo da correção monetária, nesta pesquisa, utilizou-se o índice de correção monetária disponível no Banco de dados da Economatica, padronizado aos usuários da informação financeira e contábil. O cálculo da correção monetária transcorreu-se conforme demonstrado a seguir. Tabela 1: Balanço patrimonial Ativo X0 Passivo X0 Ativo Circulante 0 Passivo Circulante 50 Ativo Permanente 100 Patrimônio Líquido 50 6 Considerando-se uma inflação 5% ao ano e aplicando-se um índice de 1,05 no final do período, ter-se-ia: • Ativo permanente....................................100 * 1,05 = 105 • Correção do Ativo.......................................= 100-105 = 5 • Patrimônio Líquido..................................... 50 * 1,05 = 52,5 • Correção do Patrimônio Líquido................ = 50-52,5 = 2,5 • Saldo de Correção........................................2,5 (saldo positivo) O ajuste da correção monetária, na demonstração de resultado, dar-se-ia da seguinte forma: Receita...................................................................10 Custo......................................................................(7) Saldo de Correção Monetária..................................2,5 Lucro antes IR.........................................................5,5 Imposto de Renda...................................................(1) Lucro Liquido..........................................................4,5 Neste trabalho, o efeito da tributação não foi considerado, apenas o seu impacto no resultado. Tabela 2: Balanço patrimonial Corrigido. Ativo X0 X1 Passivo X0 X1 Ativo Circulante 0 2 Passivo Circulante 50 50 Ativo Permanente 100 105 Patrimônio Líquido 50 52,5 Lucro Ajustado 4,5 Total 100 107 Total 100 107 3.2. Amostra e coleta de dados Até o ano de 1995, as empresas consideravam os efeitos inflacionários em seus resultados. A partir deste momento os resultados foram elaborados em função do custo histórico. Nessa investigação procedeu-se uma análise de dados em painel para os resultados apurados, no período de 1996 a 2007. Os preços médios das ações foram coletados no banco de dados da Economática e são ajustados aos proventos e em moeda histórica. Para empresas com mais de um tipo de ação disponível para negociação (por exemplo, PN e ON), foram selecionadas aquelas com maior liquidez. Os dados foram corrigidos pelo próprio software Economática®, utilizando o IPCA (Índice Nacional de Preço ao Consumidor Amplo) Acumulado, para valores em cada final de 7 exercício. Para o cálculo da liquidez das ações utilizou-se o próprio software Economática®, em que a Liquidez em Bolsa = 100 * p/P * sqrt(n/N * v/V) onde: p = número de dias em que houve pelo menos um negócio com a ação dentro do período escolhido; P = número total de dias do período escolhido; n = número negócios com a ação dentro do período escolhido; N = número de negócios com todas as ações dentro do período escolhido; v = volume em dinheiro com a ação dentro do período escolhido; e V = volume em dinheiro com todas as ações dentro do período escolhido. A amostra total era composta de 488 empresas. No intuito de se analisar empresas com maior liquidez, essa amostra foi dividida em quartis em função da liquidez média observada entre 1996 e 2007. Somente as empresas do primeiro quartil foram selecionadas, sendo que, para a análise de painel não balanceado realizada, o tamanho da amostra final foi de 884 observações. 4. Resultados Para estimar os coeficientes dos modelos, utilizou-se a análise de dados em painel no software Stata versão 10.0. A estimação dos modelos de regressão com dados em painel foi feita utilizando abordagens de efeitos constantes, fixos e aleatórios. A escolha do modelo baseouse nos resultados da aplicação dos testes F de Chow, LM de Bresch & Pagan e W de Hausman. Em situações de presença de heterocedasticidade, utilizou-se o estimador robusto de White. Na Tabela 3, são apresentados os resultados para os dados em valores históricos. Após a aplicação dos testes, o modelo selecionado foi o que utilizou a abordagem de efeitos fixos, o qual foi calculado utilizando o estimador robusto de White. Ao se observar o painel C constata-se um R2 de 0,5792, sendo que ele é significativo considerando-se um nível alfa de 10%. Em relação aos coeficientes estimados, pode-se verificar que a variável Patrimônio Líquido por Ação apresentou um coeficiente não estatisticamente significativo. Por outro lado, a variável Lucro por Ação mostrou-se significativa na explicação dos preços das ações. Portanto, os resultados encontrados para dados históricos denotam que somente o resultado por ação apresenta relevância informacional. Tabela 3 – regressão para valores históricos ij t t t PA =a +ß LA +ß PLA +e 1 2 Painel A: efeitos comuns Coeficiente Valor estimado Valor-p a 6,63 0,030 ß1 7,57 0,003 ß2 0,49 0,008 R2 0,7696 Estatística F – valor-p 0,0000 Painel B: efeitos aleatórios Coeficiente Valor estimado Valor-p a 6,63 0,030 ß1 7,57 0,003 8 ß2 0,49 0,008 R2 0,7696 Estatística F – valor-p 0,0000 Painel C: efeitos fixos Coeficiente Valor estimado Valor-p a 30,96 0,117 ß1 6,52 0,026 ß2 -0,03 0,939 R2 0,5792 Estatística F – valor-p 0,0678 Na Tabela 4, são apresentados os resultados para valores de Patrimônio Líquido por ação corrigidos pela inflação e valores de resultados por ação ajustados pelo saldo de correção monetária. Após a aplicação dos testes, o modelo selecionado foi o que utilizou a abordagem de efeitos aleatórios. Tabela 4 – regressão para valores corrigidos ij t t t PA =a + ß LACM + ß PLACM +e 1 2 Painel A: efeitos comuns Coeficiente Valor estimado Valor-p a 16,20 0,000 ß1 3,27 0,111 ß2 -0,17 0,494 R2 0,4635 Estatística F – valor-p 0,0000 Painel B: efeitos aleatórios Coeficiente Valor estimado Valor-p a 16,20 0,000 ß1 3,27 0,111 ß2 -0,17 0,494 R2 0,4635 Estatística F – valor-p 0,0000 Painel C: efeitos fixos Coeficiente Valor estimado Valor-p a 77,04 0,003 ß1 1,52 0,154 ß2 -0,76 0,070 R2 0,1281 Estatística F – valor-p 0,1931 No modelo apresentado, na Tabela 4, ao se inserir o efeito da inflação tanto no PL quanto no Lucro líquido por ação, o modelo demonstrou-se significativo somente para o coeficiente de intercepto, mesmo ao se considerar um nível alfa de 10%. Em outras palavras, os resultados encontrados indicam que a informação contábil considerando efeitos inflacionários não apresenta relevância informacional. Essas diferenças significativas podem remeter a reflexão de outras questões, tais como: i) Por que ocorreram tais diferenças? ii) Devem-se ao fato do comportamento do resultado da empresa em relação às outras empresas? iii) E em se tratando dos próprios resultados 9 passados? iv) A inflação teria de fato impacto sobre a informação contábil no mercado como um todo? v) Essas diferenças podem ser atribuídas a setores específicos? Das pesquisas levantadas, nas últimas décadas, têm-se destacado a relevância da questão sobre o uso da informação contábil e a inflação, bem como seus efeitos sobre o desempenho financeiro e patrimonial das empresas (HERRERA, 1997; HERRERA e PROCIANOY, 1998; LIMA et al., 2004, SALOTTI et al., 2006; MONTEIRO e MARQUES, 2006). No entanto, diversas questões sobre o assunto ainda necessitam de respostas. 5. Considerações finais Esta pesquisa, ao considerar os efeitos da inflação sobre a informação contábil e seus efeitos sobre a relevância da informação contábil para o mercado de capitais, caracterizou-se pela natureza exploratória, pois se observou que existem diferenças entre informações contábeis históricas e corrigidas na explicação dos preços das ações das empresas brasileiras. Deste modo, de acordo com os resultados obtidos, ainda não foi possível levantar evidências dos efeitos da inflação nos diversos setores que compõe a economia e seus respectivos impactos sobre o preço das ações. Os resultados obtidos são favoráveis à rejeição da hipótese de que não existe diferença significativa entre a relevância da informação contábil corrigida e não corrigida. No entanto, a diferença encontrada foi contrária ao esperado, ou seja, as informações contábeis em custo histórico são value relevant, ao passo que as informações corrigidas não apresentaram relevância informacional, não possibilitando comparações entre os valores dos R2 calculados. As análises realizadas nesta pesquisa ficam restritas à amostra e aos períodos analisados. Vale ressaltar que, de modo geral, as limitações do trabalho são provenientes dos modelos e proxies utilizados. Outras análises podem diagnosticar percepções mais acuradas a respeito dos itens dessa natureza. Para pesquisas futuras sugere-se uma análise das possíveis diferenças entre a relevância da informação contábil corrigida e não corrigida entre setores econômicos, já que estes podem influenciar a significância dos coeficientes do modelo. Referências BALL, R.; BROWN, P. An empirical evaluation of accounting income numbers. Journal of Accounting Research, v. 6, p.159-178, 1968. BARTH, M. E., BEAVER, W. 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